terça-feira, 28 de agosto de 2012


Não te quero mais, amor!
És ilusão de um coração sedento.
Paixão descontente.
Desassossego da alma.
Fogo que não arde.
Chama que se apaga.
Imagem pálida do amor que se foi.


Não te quero mais, amor!
Nossos dias tornaram-se cinzas,desbotados.
Pétalas caídas em chão de pedra.
Cacos cortantes em um coração agonizante.
Poesia morta, sem rima, sem métrica.
Longe da lembrança de nós.

Não te quero mais, amor!
Negar-te é minha salvação.
É manter em mim o pouco que sobrou de ti.
É não morrer em agonia.
É não viver em contemplação
por um amor que jaz sepultado 
na rotina cruel dos nossos dias vazios.


Lu Pessoa.



Não, não me venha falar de paixão. 
Paixão entorpece a alma 
embriaga os sentidos 
alucina o juízo 
deixa o corpo em brasa. 

Não, não me fale de paixão. 
Não me fale de coisas 
que prefiro não sentir. 
Dói querer alguém assim 
sem saber como chegar 
sem saber como fingir 
sem saber como sair. 

 Não, não me venha com tua fome 
ora de mim, ora de ti. 
Desse teu espelho que te refleti 
como tu te imaginas para mim. 
Não me queira nas coxas, 
nem me tenhas tua. 
A paixão que arde em mim 
é fogo em extinção. 

 Lu Pessoa.






















Quando um homem ama uma mulher...
Ele a faz sentir-se única,
mesmo que já tenha vivido outros amores.
sentido outros sabores dividido outros lençóis.

Quando um homem ama uma mulher...
Ele a faz sentir-se bela,
não importando que seu cabelo esteja em desalinho,
se ganhou alguns quilinhos
ou se seu rosto já guarda as linhas do tempo.

Quando um homem ama uma mulher...
Ele a faz sorrir pela simples razão de estar ali.
Torna-se seu melhor amigo.
Seu melhor ouvinte.
Seu grande confidente.
Seu eterno amante.

Quando um homem ama uma mulher...
Reconhece suas qualidades.
Respeita suas vontades,
sem perder a individualidade.
Sabe ser terno, nas horas ternas
Sabe ser firme nas horas certas.

Quando um homem ama uma mulher...
Entrega-se em delírio.
Faz -se menino,
homem vadio.
Revela-se sem medo do depois.
Não se prende em rótulos.
Não teme o amor.

Quando um homem ama uma mulher,
simplesmente a ama.

Lu Pessoa.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Ele me faz falta 
como falta faz... 
o vento em dia quente 
a chuva na terra árida 
a lua em noite escura 
o cobertor na pele fria 
o som na madrugada 

 Ele me faz falta... 
no silêncio que me habita 
na lembrança que acolho 
na fome que padeço 
do beijo que não foi dado 
no querer não satisfeito 
do corpo atormentado 

Ele me faz falta 
nas horas que se repetem 
dos dias mal amados 

 Lu Pessoa.

terça-feira, 7 de agosto de 2012


















O amor

Ah,o amor...
De fato, não tem fórmulas, nem receita
que o explique, nem prazo de validade.
É um bem, ou dom que necessita ser sentido
para ser entendido.
Não é feito de verdades , nem mentiras.
É feito da necessidade de existir.
Vai além do corpo.
Abriga-se na alma.
Ah, o amor...
Na sua magnitude é entrega, simples assim.
Tem matemática própria,
quanto mais se doa, mais se multiplica.
É semente divina que Deus plantou em nós.
E que só precisa de quem o cultive,
para render frutos.

Lu Pessoa.

domingo, 5 de agosto de 2012















O amor tem que ser...
Insistente, para ser ouvido.
Explícito, para não ser esquecido.
Ousado, para ser percebido.
Simples, para ser entendido.
Paciente, para acontecer.
Fiel, para ser único.
Leal, para ser amigo.
Correspondido, para ter sentido.
Vital, para não morrer.

Lu Pessoa.

sábado, 4 de agosto de 2012





No relógio gira a hora,
a hora que lentamente gira.
Gira minuto a minuto o tempo,
que em segundos se desfaz.
E já não é mas a mesma hora.
O que foi, o que é, o que será...
E no compasso da hora que acontece,
a cada dia que amanhece e anoitece,
gira, gira o mundo sem parar.
E segue em ritmo todas as horas
Pontuando a vida que passa,
encerrando na última hora
a vida que se desfaz.

Lu Pessoa.

Em mim há dois tempos;
Um que é hoje,
outro que é quando.
O que é hoje diz sim.
O que é quando diz será.
No que é hoje vivo.
No que é quando sonho.
Em um aconteço no outro padeço.
Em um sou momento.
No outro nada sou.
Vivo em dois tempos;
Num sou amante.
No outro sou amor.
Num sou ferina.
Noutro sou menina.
Num sigo o vento.
Noutro sigo a vida.
Vivo em dois tempo.
Sou o que sou.

 Lu Pessoa.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012


















Meu coração tem espaços inimagináveis
em um deles cabe você.
Pra entrar não precisa bater.
É só chegar de mansinho
e entrar devagarzinho.
Pode ser pela porta,
que está sempre aberta.
Ou se quiser pule a janela,
que sempre mantenho entreaberta.
Se puder entre sorrindo
e com coração desarmado.
E não se faça de rogado.
Nem entre desconfiado.
Não precisa trazer flores,
porque meu jardim já tenho.
Nele cultivo cores
e sementes dos amores
que com o tempo colhi.
E se entrar não se esqueça
que em coração que se abriga
jamais se parte um dia
sem levar um pouquinho
do que ele tem.
E sem deixar um tiquinho
de você também.

 Lu Pessoa.


Ah,essa saudade que me bate o peito.
Essa saudade que me invade agora
de você, meu bem. 
Ah, queria tanto te ter agora.
Queria tanto te ver agora.
Mas, você não vem. 
Ah, essa saudade que me bate o peito,
que me invade sem nenhum direito, 
desassossega o meu coração. 
Mas se os meus beijos te beijassem agora
Se os meus olhos te olhassem agora.
Se os meus braços te abraçassem agora.
Essa saudade morreria em mim.

 Lu Pessoa.
Mulher

As tímidas que me perdoem,
mas mulher que é mulher
tem fetiches, sim senhoras!
Mulher que é mulher,
assume que é vadia
goza de alegria
na cama ou na cozinha
sem medo e sem pudor.
Mulher que é mulher
veste-se de fantasia
gatinha ou coelhinha
mãe ou titia
plebeia ou rainha.
Mulher que é mulher
gosta de ser abatida
ou de abater sua vítima
com beijos e carícias
seja noite, ou seja dia.
Mulher que é mulher
sabe usar sua magia
e também ter ousadia
é fera faminta no prazer e na dor.
Mulher que é mulher
despe-se de vestes
veste-se de pele
sabe ser bela
nua em flor.
Mulher que é mulher
come do fruto proibido
não tem pecado
nem juízo
não teme o amor.
Mulher que é mulher
é feita de carne e osso,
peitos, lábios,
ventre cheiros ,sonhos,
saudades, desejos e dor
Mulher que é mulher
morre de amor.

 Lu Pessoa.

















Neste mar sem ondas,
sem marolas,
sem fina areia,
sem chão de estrelas,
encontro apenas
o vai e vem das letras,
a construção dos versos
a conjugação do verbo,
palavras que navegam
nesse mar virtual.
E neste mar mergulho
dia após dia, horas e horas.
Navegando entre rimas, poesias,
fantasias, palavras de um poeta,
que as faço minhas.
E, assim, repouso minha angústia,
minha saudade...
em versos que escrevo,
no amor que revelo
nas ondas sem mar.

Lu Pessoa
Hoje a saudade fez abrigo em mim.
Invadiu, agitou, confundiu.
Fez do tempo um labirinto,
das horas um suplício.
E o amor que parecia exato
se perdeu nos meus espaços vazios.

Lu Pessoa


Enfim, começar...
leme na mão,
seguir nesse mar,
sem amarras,
sem perdas,
sem danos.
Doce ilusão virtual.
Ficção... realidade...
É doce e quente o prazer da imaginação.
Aqui decido minha rota,
defino meu prumo,
faço, desfaço e refaço,
sou inteira, ou em pedaços,
 sigo as fase da lua,
do meu calendário particular.
Aqui ardo, queimo ou me apago.
Fico em cinzas e viro fênix.
Aqui o tempo é o meu tempo,
relativo a mim, ao que sou.
Aqui existo, na ilusão de ser
ou não ser...

 Lu Pessoa

Nessa espera infinda
do nosso doce novembro, 
vou preenchendo as horas
na trilha da minha agonia,
onde cravo minha poesia,
súplica da minha saudade. 

Lu  Pessoa.
Poeminha de gato

Gatos...
Felinos que andam quase
em nuvens,patas, pelos, cheiros,
lambidas, unhas.
Gatos...
olhos amarelos, quase ouro,
quase verdes, quase...
 atos... cio...
miauuuuuuuuuuuuuuuuu...
Gatos são gatos.

 Lu Pessoa.














Eu não o vi chegar.
Não o percebi entrar.
Mas, lá estava ele incubado em mim.
Vírus letal nas minhas certezas.
E de repente tudo ficou estranho...
Silêncio... Quereres...
Vontades obscuras.
Não sei quando veio.
Não sei se vai partir.
Não sei se vai ficar.
Mas, sei que é desejo.

Lu Pessoa


Meu doce homem, 
vens para mim
e cobre-me com tua pele. 
Singra meus espaços, picos e cumes. 
Fogo da minha alma,
aqueça-me, consuma-me! 
Venha, mas não me chame.
Não se faças ouvir pelos ouvidos alheios. 
Venha no silêncio da noite.
No desperta da aurora. 
E faça de mim a sua cidadela.
Tenha-me com posse
Sem rumo e sem norte. 

Lu Pessoa.
Tua

Aqui, só aqui sou tua. 
E nenhum outro lugar tu me tens. 
Em nenhum outro lugar eu te tenho.
Não ei de querer-te de outa maneira. 
A vontade que lhe tenho
aqui não tem barreiras nem nome, 
 nem despedida, nem ausência. 
Aqui, amado, somos irreais.
Não me queiras além disso. 
Não saberei te fazer feliz. 
De onde tu vens
foi de onde eu vim.
Mas, quis o destino
que fossemos apenas fantasia. 

Lu Pessoa.


Eu sou a tua outra parte oculta.
Tu ainda não sabes que moro em ti.
Aqui, de onde estou, te observo lânguida, serena,
esperando a nossa hora.
E o tempo, estranho e lento,
vai tecendo a trama do nosso encontro.
Será que tu irás reconhecer-me?
Será que tuas mãos tocarão as minhas?
E teus lábios pronunciarão que nome,
Se não me chamo mais Ludimla?
Sei de um tempo que eu era tua,
e tu eras meu.
Eu, a mulher que te acalentava a alma.
Tu, meu cavalheiro andante.
Mas, hoje apenas espero,
lânguida e serena,
a hora da minha chegada na tua vida.


Lu Pessoa



Abraços são laços,cordões mágicos,
cobertor quente que esquenta a alma da gente.

Lu Pessoa














Ausência

Ela, tinha por ele amor sem igual.
Amava-o como uma gueixa, sem queixas.
Orava por ele com a fé dos apaixonados.
Em sua ausência, nas noites frias,
aquecia-se com mãos silenciosas.
Seu vício era sonhar com o amor ausente,
imaginá-lo entre as paredes da sua solidão absoluta.
O silêncio era testemunha do amor que ela lhe tinha.
Ele, tinha por ela amor.
Amava-a simplesmente.
Em sua ausência, nas noites frias,
aquecia-se em mãos alheias.
Seu vício era esquecê-la em cada esquina.
Mas mesmo assim ele a amava,
com o amor dos ausentes.

Lu Pessoa
Horas, horas, horas...
Chegam pesadas e mornas.
E move-se o pêndulo num compasso lento.
Oras , oras bola!
Pasmaceira esse tempo de horas mortas.
Eu aqui presa no silencio,
sem saber o que fazer com tempo
que vem lento, lento, lento...
Horas, horas, horas...
Segue!Caminha!Acorda!
Vai e devassa o tempo!
Desfaz o último momento,
desse tempo de horas mortas...

Luciana Pessoa
E nada poderia ser feito.
Nada poderia ser dito...
Inevitável o encontro
daqueles corpos aflitos um do outro.
E o que antes não era percebido,
tornou-se de um amor urgente.
Sem pecado, sem medo, sem pudor...
E tudo se mostrou tão exato,
delírios, suspiros,gemidos...
uma explosão de contentamento.
Eles tinham fome de eras.
E nada, absolutamente nada,
poderia impedir aquele encontro
de corpos tão aflitos um do outro.
Nem mudar o destino daqueles corações .
Não havia palavra que traduzisse tão grande sentimento.

Lu Pessoa


O gato.

Eu acho que vi um gatinho!
Tinha olhos de gato
e sorriso de gato.
Hum...
Eu acho que ele tá no meu telhado.
Anda como um gato e ...
rosna também.
Ah... será que esse gato quer samba?
Será que esse gato tem dona?
Acho que agora ele tem. 
Vem gato e pula na minha cama.
Hum...
Eu acho que comi um gatinho!
Miauuuuuu...

 Lu Pessoa.

O Homem de Chapéu Torto

Lá vai o homem
De chapéu torto
Subindo o morro
Com seu andar de lobo
Encontrar Maria. 
Maria da Dores
Maria das Graças
Maria da Penha
Maria do Socorro
Maria de Lourdes... 
Maria, Maria, Marias.
Lá vai o homem 
De chapéu torto 
E seu olhar bobo 
Subindo o morro 
Encontrar Maria. 

 Lu Pessoa.
Ele era um querer não querido,
um sentir não sentido,
um amar não amado.
Era pensamento renitente.
Era o que não se negava.
Era sua penitência.
Sua dor e alegria.
Seu contentamento descontente.
Seu côncavo e convexo.
Ele era tudo o que ela queria.
E tudo o que não podia ter.
Ele era o que não tinha de ser.
Mas mesmo assim...
ela sonhava com ele.

Lu Pessoa



Sou uma náufraga do tempo 
Navego ao sabor do vento.
Minha casa não é sul, nem norte. 
Rainha de todos os mares.
Senhora de todos os seres.
Espírito da noite.
Aurora do dia. 
Amante de todos os homens.
Meu canto é veneno doce,
tempestade,ilusão e morte.
Em meus braços encontrarás
a certeza do amor eterno
e o silêncio do amor que morre. 

 Lu Pessoa.
Da janela em que vivia,
tecia o tempo em linhas tortas.
Nada podia.
Nada sentia.
Nada queria.
Medos? Não tinha.
Sonhos? Não lembrava.
Amores? Não lamentava.
Recordações? Não guardava.
E assim eram os dias...
e sorriso pálido, olhos fechados e mãos frias.
Esse era o mundo que lhe cabia.
Só lhe restando sombras
Folhas mortas
E o fim das horas.

Lu Pessoa.



Eu te quero.
É tanto o meu querer
que já não sei...
Se calo, ou se te chamo
Se odeio, ou se te amo.
Tenho medo... 
Há um fogo em mim que desconheço
e que arde em meu peito.
Eu te quero de um querer tão urgente
que já não o guardo em mim.
Tanto amor assim
é preciso gritá-lo ao vento,
lançá-lo ao mar.
Quem sabe tu me ouves, amor meu, 
e sussurre meu nome
 em palavras secretas jamais ditas. 

 Lu Pessoa
Para o meu amor, Hilton Azevedo. 

Tudo sabes que eu te amo.
De uma amor tão imenso,
que mal cabe em meu peito. 
É amor de muitas vidas. 
Então porque cortas o meu peito
com o fel da incerteza? 
Se meu amor é tão certo que é seu. 
Não há olhos que te vejam como os meus.
Nem boca que te queira como a minha.
Não há desejo que te queira mais.
Tua ausência é sina que não suporto.
Já lhe tive ausente demais. 
Agora é hora de lhe ter perto. 
Do meu lado direito,
onde teu travesseiro te aguarda. 
O vazio que tu me deixas, nada há de suprir. 
Minha alma tem fome da tua, 
porque nela se completa. 
Por isso amor... 
Não coloque no meu peito a faca da incerteza. 
Porque antes mesmo que tu soubesses
que eu era tua, eu já te amava. 

 Lu Pessoa.

É no silêncio

É no silêncio...
que calamos a voz,
que nos tornamos ternos. 
É no silêncio... 
que os sentidos são sentidos,
que a dor se acomoda,
que a alegria se expande.
É no silêncio... 
que os olhos falam,
que o amor se torna pleno.
É no silêncio... 
que a alma dorme
e o coração levita.

Lu Pessoa

Ilustração: fotografia de Shana & Robert ParkeHarrison.

O mundo que cabe em mim.


Quero todos os abraços que houver.
Não importa se braços longos ou curtos
só precisa ser apertado na medida sobre mim. 
Quero todos os sorrisos que houver.
Não importa se largos ou tímidos,
apenas que sorria para mim.
Quero todo o amor que houver.
Não importa se muito ou pouco,
só que seja na medida exata para mim.
Quero todos os amigos que houver.
Não importa se do mundo todo
ou se do mundo que cabe em mim. 

 Lu Pessoa.


Viva as borboletas! 
Com suas cores que vibram, 
nos mais diversos tons.
Viva as borboletas! 
em suas asas de sonho,
que levam para o céu azul.

Lu Pessoa


Tempo

Ah, o tempo...
Relativo e exato tempo!
É coisa de sentir.
É coisa de saber.
Tempo...
Que leva as horas
e finda histórias.
Que se desfaz
e se refaz.
Tempo...
Que não tem preço, mas vale ouro.
Não tem forma,
mas tem seu peso.
Não se mede,
mas tem medida.
Tempo...
Que tudo guarda,
mas tudo cura.
Que não tem pena,
mas vale a pena.
Tempo,contraditório tempo.
Entrego a Deus seu entendimento.

Lu Pessoa.


Eram outono liberando folhas secas. 
Tinham corações vindos de longo inverno. 
Conheceram-se num setembro, 
de um ano que jamais será qualquer. 
Tornaram-se verão em plena primavera. 
E se amaram por muitas estações...


Amado meu que estás longe.
Por que longe estás de mim? 
Volta, meu amado, volta! 
E retornas para o teu jardim. 
Em meu jardim tem cheiros e flores, 
flores que plantei para ti. 
Nele não há espinhos, nem dores, 
nada que possa magoar-te. 
Volta, amado, volta! 
Deita sobre minha relva 
que é fresca como o orvalho da noite 
e doce como o jasmim. 
Bebe do néctar da minha boca 
que cultivei na saudade 
dos dias longe de ti. 


 Lu Pessoa.
O vento 

O vento anunciava tua chegada,
soprava constante teu nome,
desenhando nas folhas que flutuavam
teu lindo semblante.
Gotas de chuva gotejavam
em alegria transbordante,
pela tua chegada que se principiava.
Ao longe já via teus passos vindo calmo
para os meus braços,
que te aguardavam desde a última aurora
da tua partida.
Teus olhos já me eram vistos,
cor de mar em tempestade bravia.
Um sorriso já me marcava a face
que antes era só melancolia.
E assim, foi por muitos dias
até o dia da tua partida.
Começando novamente minha espera,
minha sina.
E ao vento eu rezava,
aguardando que ele anunciasse
a tua chegada.

 Lu Pessoa.
Entrelaço

Te faço, desfaço.
Te prendo em mil laços.
Entre abraços te guardo.
Entre beijos te marco. 
Te faço, refaço. 
Te pego e enlaço. 
Entre pernas e braços 
preencho espaços, entrelaço... 
Te faço, desfaço e refaço. 

 Lu Pessoa.


Ela balançava suas lindas tranças, 
e sua sai rodada dançando na relva. 
Ele, calado, só olhava para ela. 
Sonhava com ela... 
Queria tê-la nos braços, 
acariciar seu lábios, beijar sua pele de pêssego, 
sentir seu doce perfume de almíscar selvagem. 
Queria deitar seus lábios naquele colo generoso 
que lhe instigava os mais loucos desejos. 
Percorrer suas formas tentadoramente sinuosas. 
Queria arriscar-se nela, 
embriagar-se dela, 
alimentar-se dela 
e falecer no seu cio. 
Mas ele contentava-se apenas, 
em olhá-la dançando na relva. 

 Lu Pessoa.
Amantes

Amavam-se simplesmente.
Textura,pelos e peles...
Risos,abraços,afagos...
Desejavam-se intensamente.
Alimentavam-se de amor e sexo.
Eram íntimos na dor e alegria,
tormento e calmaria.
Compartilhavam verdades e mentiras,
desejos e fantasias.
Eram imagem e semelhança.
Amavam-se como amantes,
entre sons e silêncios.

 Lu Pessoa.

Meu Capitão

Onde estás meu Capitão?
Como me deixa, assim,
nesse mar de ilusões
a sonhar contigo? 
O que faço se meu canto agora é triste 
e ecoa ao vento sem respostas, 
sem sua nau? 
No meu mar só me resta o vento... 
Vem, meu Capitão, 
navegar no meu mar, 
agitar minhas águas... 
Captura-me, subjuga-me 
ao teu prazer. 
Vem para os meus seios 
onde eu possa te afagar. 
Retorne as minhas mãos 
para que eu desenhe tua face 
e não esqueça de ti um único momento. 
Não navegues por mares distantes, 
em outros horizontes. 
Vem, meu Capitão, 
sossegar minha alma, 
e receba dos meus lábios 
o verbo que me queima. 
E em meu corpo, meu navegante, 
faça teu porto. 

Lu Pessoa






Há dias...


Há dias que é preciso...
conforto,um ombro amigo
e um belo sorriso te convidando pra ficar.
Há dias que é preciso...
abraço apertado, cheiro bom de colo,
mãos de seda e pele de cetim.
Há dias que é preciso...
ser banal, não ler jornal, tomar banho de chuva,
comer no quintal.
Há dias que é preciso...
comer sushi com amigos,
tomar uma gelada no boteco da esquina,
ter alegria, sair da rotina.
Há dias que é preciso...
ver um filme açucarado até ficar enjoado.
Beber café quente,
curtir um bom papo
e calor de gente.
Há dias que é preciso...
esquecer o tempo,
dar um delete,
ficar fora do ar.
Há dias que é preciso...
amar uma planta,
um animal, ou um outro alguém,
simplesmente amar.
Há dias que é preciso...
morrer,lavar a alma,
chorar o pranto, esquecer.
Há dias que é preciso...
renascer,cultivar bons pensamentos,
olhar novos horizontes,
não ter medo, não sentir culpa,
acontecer.
Há dias que é preciso paz,
o som do silêncio,
calar a razão,
e sentir o coração.
Há dias que é preciso.

Lu Pessoa.

Na Justa Medida

O bom da vida é viver,
viver com justa medida... 
Nem todo bem por si só vale.
Nem todo mal é só maldade.
Nem toda alegria é curta.
Nem toda tristeza é saudade.
O bom da vida é viver, 
viver com justa medida... 
Nem tudo que é macho é homem. 
Nem tudo que é fêmea é mulher.
Nem tudo que se diz é o que é.
Nem todo que se vê é verdade.
O bom da vida é viver,
viver com justa medida... 
Nem todo os sonhos são bons.
Nem todo pesadelo é ruim.
Nem todo amor vale a pena.
Nem toda pena é maldade.
O bom da vida é viver,
viver com justa medida... 
Nem todo que se come é comida.
Nem toda fome se sacia.
Nem tudo que se bebe é água.
Nem toda água é bebida.
O bom da vida é viver,
viver com justa medida.
Nem tudo que é bom é caro.
Nem todo que é caro é bom.
Nem todo fogo queima.
Nem tudo que queima é fogo.
O bom da vida é viver.
Vive com justa medida. 
Nem todo desejo é de amor.
Nem todo amor traz desejo.
Nem todo beijo é bom.
Nem tudo que é bom termina em beijo. 
O bom da vida é viver,
viver na justa medida.

Lu Pessoa.




Indecifrável


Porque há coisas que não posso mudar.
Restando apenas, diante desse espelho,
a mulher que o tempo moldou
com sua marcas silenciosas.
Mas, que ainda guarda no olhar
a criança que sonhou um dia,
e que o tempo não levou de mim.
Porque há coisas que são imutáveis,
como o que ficou pra trás.
Coisas que o tempo leva
e não volta jamais.
Como o gosto das coisas
que foram boas um dia
e que jamais terão mesmo sabor.
Coisas que amei um dia,
hoje empoeiradas nas lembranças
que o tempo teceu em mim.
Poque há coisas que não posso mudar,
independente da minha vontade
ou do meu querer.
Coisas indecifráveis.

 Lu Pessoa.

Para minha amiga, Wanda Suedde, que anda impaciente por demais.

















O que se passa em ti, morena?
De onde vem essa inquietude?
Já não te basta a beleza que Deus te colocou?
Não se perca em coisas que não pertencem a ti.
Tu vens da alegria onde o mar faz calmaria e as águas melodia.
Tenha calma, morena!
Que o que é teu há de chegar seja noite ou seja dia.
Presta atenção em tua porta
e vê se já não bate a ventania
que te levará um dia
para os baços da fantasia,
onde o amor faz moradia.
Vai, morena!
Espanta o mal
que te cobre a alma,
veste tua saia mais rodada
e dança, dança, dança!
Que o que é teu, morena,
há de chegar um dia.


 Lu Pessoa.


















O Beijo

O beijo é onde nasce o desejo
e se escondem segredos.
É loucura delirante.
É sede que não se sacia.
É ausência de monotonia.
O beijo é o toque dos lábios.
Línguas que trocam carícias,
Centelha que provoca calor.
O beijo é afeição, desvario,
comoção, encantamento.
É entrega desmedida
que se prolonga em pensamento.
O beijo é o encontro perfeito
entre tua boca e a minha.

 Lu Pessoa.



















Quando partiu?
Não sei dizer.
Mas vi naquela mãe
o amor que nunca morre.
Dividi com ela a sua dor.
Senti seu funeral.
Chorei sua perda,
como se também fosse minha.
Vi naquele filho os filhos meus,
dor assim mãe nenhuma
deveria sentir um dia.
E assim como Maria
ela chorou seu funeral.
Que Deus proteja
toda mãe dessa agonia.
E que os braços de Maria
cubra com seu manto
e console todo o pranto
das mães cujos filhos
se foram e lá no céu tem moradia.
Coração de mãe
só se deve guardar saudade,
lembranças dos momentos bons,
jamais melancolia.
Pois toda mãe cujo  filho
partiu cedo um dia,
sabe que irá, no tempo certo,
estender os braços maternos
e receber com alegria,
o filho amado do céu.

Lu Pessoa



















Quando a Morte Chegar


Quando a morte chegar, e sei que vai,
quero deixar pra trás...
tudo que me foi fardo,
tudo que não foi válido,
tudo que não foi exato,
tudo que a terra há de comer um dia.
Nada levarei, apenas as lembranças
do que aqui realizei.
Em meu caixão não haverá espaço
para a casa que comprei,
nem o carro que adorei,
minhas roupas também não.
Quando a morte chegar,
e sei que vai, deixarei o que plantei;
flores ou ervas daninhas,
amigos ou más companhias,
tristezas ou alegrias, amores ou desilusões.
Quando a morte chegar, e sei que vai,
levarei comigo as lembranças
dos amores que amei,
a saudade dos filhos que tive,
os sonhos que realizei
e os que não realizei, também levarei.
Quando a morte chegar, e sei que vai,
minha consciência será o meu juiz,
darei minha própria sentença
das ações que na vida fiz,
e que de certo será o pêndulo
que determinará o meu destino;
se ser livre no infinito
ou alma presa ao seu algoz.
Quando a morte chegar, e sei que vai,
se fiz da vida um bom destino,
voltarei para a casa eterna,
renascerei para a vida etérea
na casa de meu Pai.

Lu Pessoa.


Basta

Para meu coração teu amor me basta.
Assim como basta para a abelha o néctar das flores.
Para meus lábios o teu beijo me basta.
Assim como basta para a terra árida as gotas de chuva.
Para os meus olhos ver-te me basta.
Assim como basta para o poeta ver a lua.
Para meus braços acolher-te me basta.
Assim como basta para o capitão sua nau.
Para meu corpo teu corpo me basta.
Assim como basta o alimento para a fome.
Para não esquecer-te sonhar-te me basta.
Assim como basta para quem ama o seu amor.

Lu Pessoa.