sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Ah, de certo que eu te quero.
E por muitas luas te amarei,
como quem ama pela primeira vez.
E te serei fiel como assim são os pássaros.
Beijarei teus lábios como quem prova morangos.
Pousarei minha boca em cada linha da tua face.
Deslizarei por teu corpo feito óleo a impregnar teus poros
Tecerei em tua pele minha caminhada com unhas felinas
e te marcarei estrategicamente.
E se acaso me perderes,
deixo-te o amor
que sonhei um dia.

Lu Pessoa



























quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Deixo-te a porta aberta.
Siga em paz teu caminho.
Mas, não ei de fechar-te a porta
para que assim tu retornes.
Quando o sol não mais aquecer tua alma.
Quando a chuva molhar tua pele fria.
Quando tua fome perder o gosto das coisas.
Quando teus olhos cansarem das cores sem brilho.
Quando teu desejo já não te fizer mais sentido.
Quando o vento te carregar meu nome...
Minha porta estará aberta.
E em meu peito dormirá tua angustia.
E desfarei teu desassossego.

Lu Pessoa



segunda-feira, 4 de março de 2013

Brinco com a tua geografia
Entre picos e cumes
curvas e linha
deslizo
subo
desço
descanso
danço
respiro
suspiro
invento
reinvento

Lu Pessoa

Tínhamos  olhos serenos
e mãos amorosas
Tínhamos corpos de nuvens 
e bocas silenciosas
Tínhamos sede
e saciávamos de mel
Tínhamos horas lentas
e noites eternas
Tínhamos um ao outro
e isso nos bastava.

Lu Pessoa.

terça-feira, 28 de agosto de 2012


Não te quero mais, amor!
És ilusão de um coração sedento.
Paixão descontente.
Desassossego da alma.
Fogo que não arde.
Chama que se apaga.
Imagem pálida do amor que se foi.


Não te quero mais, amor!
Nossos dias tornaram-se cinzas,desbotados.
Pétalas caídas em chão de pedra.
Cacos cortantes em um coração agonizante.
Poesia morta, sem rima, sem métrica.
Longe da lembrança de nós.

Não te quero mais, amor!
Negar-te é minha salvação.
É manter em mim o pouco que sobrou de ti.
É não morrer em agonia.
É não viver em contemplação
por um amor que jaz sepultado 
na rotina cruel dos nossos dias vazios.


Lu Pessoa.



Não, não me venha falar de paixão. 
Paixão entorpece a alma 
embriaga os sentidos 
alucina o juízo 
deixa o corpo em brasa. 

Não, não me fale de paixão. 
Não me fale de coisas 
que prefiro não sentir. 
Dói querer alguém assim 
sem saber como chegar 
sem saber como fingir 
sem saber como sair. 

 Não, não me venha com tua fome 
ora de mim, ora de ti. 
Desse teu espelho que te refleti 
como tu te imaginas para mim. 
Não me queira nas coxas, 
nem me tenhas tua. 
A paixão que arde em mim 
é fogo em extinção. 

 Lu Pessoa.