sexta-feira, 29 de abril de 2011

Ditadura das Barbes


Olá, visitantes.

Faz tempo que não escrevo aqui.Ou melhor, faz tempo que nada escrevo. Mas hoje acordei querendo deixar meu recado, registrar meu verbo.

Mulheres, acordem!!!Malhação, já! Vão, mulheres, malhação já!!!Sejam Afrodites!! Tenham peitos e bundas! Tenham ondas e curvas! Corram para os bisturis e facas afiadas ! Modelem-se! Transformem-se! Acreditem, Vinicius , o poetinha, tinha razão:" que mim perdoem as feias, mas beleza é fundamental". Uma pequena verdade, mas de um peso insustentável...Falando em peso, quanto vale uma mulher? Alguns miligramas de silicone? Uma bundinha bem redonda e um peitinho durinho? Uma barriga lisinha e um belo par de pernas? 50 kg bem pesados? Pois é...Será a ditadura das Barbes? E assim vamos vivendo num mundo de "Alices".

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Primavera

Após outonos e invernos, ela se sente em plena primavera.
E eu, tão verão, a aguardo a cada nova estação.
No que escrevo,
Há pura verdade:
A pura verdade
A pura a verdade.

Por D. Gui.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Por Bruna Lombardi

Que me venha esse homem
depois de alguma chuva
que me prenda de tarde
em sua teia de veludo
que me fira com os olhos
e me penetre em tudo.

Que me venha esse homem
de músculos exatos
com um desejo agreste
com um cheiro de mato
que me prenda de noite
em sua rede de braços
que me perca em seus fios
de algas e sargaços.

Que me venha com força
com gosto de desbravar
que me faça de mata
pra percorrer devagar
que me faça de rio
pra se deixar naufragar.

Que me salve esse homem
com sua febre de fogo
que me prenda no espaço
de seu passo mais louco.

terça-feira, 9 de março de 2010

Bendito sois




Bendito sois vós entre os homens,
fogo que me queima,
corpo que me farta.
Bendita tua língua,
bicho solto na minha saliva.
Benditos teus olhos,
felino que me hipnotiza.
Benditas tuas coxas
o que tem entre elas...
pomar da felicidade,
fruto mais desejado,
desejo mais esperado.
E que assim seja...

Vem, meu capitão...


Onde estas meu Capitão?

Como me deixas, assim, nesse mar de ilusões,

a sonhar contigo?

O que faço se meu canto agora é triste e ecoa ao vento sem respostas,

sem sua nau?

No meu mar só me resta o vento...

Vem, meu Capitão, navegar no meu mar, agitar minhas águas...

capturar-me, subjugar-me ao teu prazer.

Vem para os meus seios onde eu possa te afagar.

Retorne as minhas mãos para que eu desenhe tua face

e não esqueça de ti um único momento.

Não navegues por mares distantes, em outros horizontes.

Vem, meu Capitão, sossegar minha alma,

e receba dos meus lábios o verbo que me queima.

E em meu corpo, meu navegante, faça teu porto.




“O amor que me têm, disse ela, não tem paixão que consuma; ciúme que desvaire; esquecimento que deslustre. Amar-me é como uma noite de verão, quando os mendigos dormem ao relento, e parecem pedras à beira dos caminhos. Dos meus lábios mudos não vem cantos como os das sereias, nem melodia como o das árvores e das fontes; mas o meu silêncio acolhe como uma música indecisa, o meu sossego afaga como o torpor de uma brisa.

Vem ao meu carinho, que não sofre mudança; ao meu amor, que não tem cessação! Bebe da minha taça, que não se esgota, o néctar supremo que não enjoa nem amarga, que não desgosta nem inebria. (...).

Nos meus braços esqueceras o próprio caminho doloroso que te trouxe a eles. Contra o meu seio não sentirás mais o próprio amor que fez com que o buscasse!"(...).



Fragmentos de um poema do enigmático Fernando Pessoa,em sua obra (Livro do Desassossego). Ora apaixonado entregando-se aos delírios da fantasia amorosa, do sagrado, do imaginário; ora cultivando a solidão, o pessimismo, a razão, Pessoa nos conduz a uma viagem, não ao imaginário comum, mas, ao nosso inconsciente profundo povoado por nossos desejos, nossas buscas, nossas desventuras, nossos enigmas. Poucos conseguem extrair tanto de nós.



Neste mar sem ondas,
sem marolas,
sem fina areia,
sem chão de estrelas,
encontro apenas o vai e vem das letras,
a construção dos versos
a conjugação do verbo,
palavras que navegam nesse mar virtual.
e neste mar mergulho dia após dia,
horas e horas,
navegando entre rimas,
poesias, fantasias,
palavras de um poeta,
que as faço minhas.
E, assim, repouso minha angústia,
minha saudade...
em versos que escrevo,
no amor que revelo
nas ondas sem mar.